Guias 19/08/2026

Puffco Brasil: o estande ficou vazio, mas a marca estava por toda parte

Na ExpoCannabis Brasil, a Puffco esteve presente, mas sem aparelhos expostos. A ausência dos produtos virou uma das imagens mais comentadas do evento e expôs o choque entre a cultura dos concentrados e a proibição brasileira.

Por Redação Cabana do Vape · reportagem em atualização

Na ExpoCannabis Brasil, a Puffco esteve presente com um estande — o que não apareceu foram os próprios aparelhos. O vazio foi apresentado pela marca como mensagem sobre a proibição. Enquanto a exposição comercial não acontecia, a marca continuava aparecendo nas conversas, nos vídeos, nas sessões e nos dispositivos levados pelos próprios visitantes.

Segundo a própria Puffco, a proibição impediu a exposição comercial dos aparelhos, mas não retirou a marca da cultura canábica brasileira. Quando o estande ficou vazio, a comunidade já carregava a marca nas próprias mãos.

Esta é a história por trás da cena que marcou a terceira edição da feira — e do debate sobre o que significa falar em Puffco Brasil quando a tecnologia continua presente, mas a vitrine oficial é tratada como proibida.

Nota de atualização (19 de agosto de 2026): a ExpoCannabis já anunciou a quarta edição para 20 a 22 de novembro de 2026. A página de eventos da Puffco lista “Expocannabis Brazil” para 20 e 21 de novembro, mas isso não equivale a uma confirmação de estande ou de venda de aparelhos. O cadastro público de expositores da feira ainda não mostra a Puffco. A diferença entre as páginas é parte da apuração, não uma autorização para antecipar o que acontecerá.

O que está confirmado, o que é relato e o que continua sem prova

SituaçãoEvidência disponível
A Puffco anunciou um estande vazioCarta aberta publicada pela própria marca antes da ExpoCannabis.
A legislação brasileira mantém a proibição amplaAnvisa e RDC 855/2024 alcançam dispositivos, peças, acessórios e refis.
Visitantes viram um estande sem produtos em 2025Relatos públicos em comunidades de vaporizadores. São fontes testemunhais, não documento oficial.
O estande foi fechado pela Receita ou não pôde abrirNão encontramos documento que permita escolher entre essas versões. A marca apenas atribui o vazio à proibição e aos aparelhos barrados na fronteira.
A operação Santa Gaia foi o mesmo episódioNão. A operação policial de outubro de 2025 é um caso separado, documentado pela Alesp.

A linha do tempo da Puffco na feira

2023: a marca ocupava espaço, palco e conversa

Na primeira edição da ExpoCannabis, em setembro de 2023, um participante publicou que a Puffco tinha montado “um puta estande” e promovido sorteios ao longo do evento. O relato não informa quantos aparelhos foram demonstrados nem autoriza concluir que houve venda regular de dispositivos. Ele registra outra coisa: a marca já tinha visibilidade física e apelo de comunidade antes da polêmica do estande vazio.

2025: a vitrine desaparece

A terceira edição ocorreu entre 14 e 16 de novembro, no São Paulo Expo. A carta aberta da Puffco foi explícita ao anunciar que “nosso estande estará vazio” e a explicar a ausência como consequência do enquadramento brasileiro dos vaporizadores. Depois da feira, visitantes descreveram nas redes um espaço sem produtos, em linha com o comunicado da empresa.

2026: a próxima pergunta está em aberto

A ExpoCannabis Brasil 2026 está marcada para 20, 21 e 22 de novembro. No calendário internacional da Puffco, “Expocannabis Brazil” aparece em 20 e 21 de novembro. Como as páginas não informam o mesmo recorte de dias e a lista pública de expositores não confirma a marca, a pergunta “a Puffco vai voltar?” ainda precisa de resposta oficial.

O que a Girls in Green publicou — e o que não publicou

A busca por uma fonte independente levou à Girls in Green, uma das plataformas brasileiras mais conhecidas quando o assunto é vaporização e concentrados. O resultado é útil justamente porque não confirma a versão mais dramática do rumor.

No guia da vaporização, publicado em parceria com a Puffco, a Girls in Green afirma que vaporizadores são “tecnicamente proibidos” no Brasil, chama a Puffco de uma de suas marcas favoritas e diz que os produtos ainda não estavam disponíveis no país. O texto explica Peak, Peak Pro e Puffco Plus, mas não menciona Receita Federal, apreensão, estande fechado ou uma ocorrência na ExpoCannabis.

Na prévia da ExpoCannabis Brasil 2025, a equipe informa que estaria no estande da Humboldt Seed Company. Também não há ali menção à Puffco, à suposta fiscalização ou a aparelhos impedidos de entrar na feira.

O que a Girls in Green confirma é o contexto: a proibição dos vaporizadores no país e a parceria editorial com a marca. Sobre a ExpoCannabis, a Receita Federal e o estande da Puffco, os textos consultados não trazem confirmação.

O estande que virou manifesto

A terceira edição da ExpoCannabis Brasil aconteceu de 14 a 16 de novembro de 2025, no São Paulo Expo. A programação reuniu marcas, produtores, pesquisadores, ativistas e uma comunidade acostumada a discutir a planta para além do clichê do “vape” de nicotina.

Foi nesse contexto que a Puffco apareceu com uma decisão visualmente impossível de ignorar: o estande estava lá, mas os produtos não. Em sua carta aberta sobre o Brasil, a fabricante afirma que seus equipamentos são feitos para concentrados, não contêm nicotina e acabam barrados na fronteira pela forma como a legislação brasileira enquadra os dispositivos eletrônicos para fumar. A própria marca anunciou que o estande estaria vazio durante a ExpoCannabis.

O gesto tinha duas camadas. Para quem passava pela feira, era uma provocação: como uma empresa pode participar de uma exposição canábica sem poder mostrar o que fabrica? Para a Puffco, era também uma peça de comunicação sobre regulação, redução de danos e a falta de distinção entre tecnologias de uso muito diferentes.

O que a lei brasileira realmente proíbe

O pano de fundo não é um detalhe. A Anvisa proíbe, desde 2009, a fabricação, a importação, a venda, a distribuição e a propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. A atualização de 2024, pela RDC 855, manteve esse eixo e alcança o aparelho, suas peças, acessórios e refis.

Na prática, a regra não criou uma categoria específica para o equipamento de concentrados da Puffco. A carta da empresa contesta justamente esse “mesmo balaio”: a marca diz que a tecnologia não é um descartável de nicotina e que o uso pretendido é outro. A posição da empresa, porém, não altera sozinha a validade da norma brasileira. Por isso, a matéria separa duas coisas: a diferença técnica e cultural apontada pela comunidade e o enquadramento jurídico que continua vigente.

A origem do rumor: Receita, estande fechado ou produto barrado?

Foi aqui que a história começou a ficar confusa. O que circulou entre participantes foi uma versão oral: alguém teria impedido a abertura, a exposição ou a entrada dos aparelhos. Sem uma nota da organização, um auto de apreensão ou uma resposta da Receita, não dá para escolher qual dessas versões é verdadeira.

O documento público que existe é outro: a carta da Puffco diz que os equipamentos foram barrados na fronteira e que, durante a ExpoCannabis, o estande estaria vazio. A carta não afirma que agentes da Receita entraram no estande, não descreve uma apreensão dentro da feira e não informa se a estrutura ficou aberta para conversa institucional.

Também está documentada uma operação policial contra a Santa Gaia em outubro de 2025, registrada em proposição da Assembleia Legislativa de São Paulo e comentada por veículos e participantes da cena. É um episódio separado, ainda que tenha acontecido no mesmo período e possa ter contaminado a memória sobre a feira.

Portanto, a frase correta não é “a Receita fechou o estande”. É: a Puffco atribuiu o estande vazio à proibição e ao bloqueio dos aparelhos na fronteira; a hipótese de uma ação da Receita dentro da ExpoCannabis permanece sem confirmação pública.

Puffco por metro quadrado

Quem esteve no evento descreveu uma sensação oposta à do estande vazio. Em comunidades de vaporizadores, participantes lembraram que havia aparelhos circulando, gente comparando câmaras, discutindo rosin e acompanhando sessões de concentrados. Um relato sobre a edição anterior resume o clima: o estande da Puffco tinha chamado atenção com ações e sorteios ao longo do evento; em 2025, a lembrança foi a de um espaço sem produto, mas com a marca ainda no centro das conversas.

Não existe uma medição séria de “Puffco por metro quadrado” — e a frase funciona melhor como retrato de uma atmosfera do que como estatística. O que se pode documentar é a presença da marca na cultura de concentrados: a Girls in Green publicou um guia em parceria com a Puffco, explicou Peak, Peak Pro e Plus e tratou a marca como referência para quem acompanha esse universo. Isso mostra circulação cultural e editorial; não prova quantos aparelhos estavam na ExpoCannabis nem o que aconteceu em cada roda de conversa. É assim que uma marca deixa de depender apenas do estande: ela passa a circular de tutorial em tutorial e de conversa em conversa.

O valor — e o limite — da prova de rede social

Os relatos de Reddit ajudam a reconstruir a experiência do público, mas não substituem documento. O depoimento de 2023 é útil para mostrar como a marca era percebida quando tinha estande ativo; o relato de 2025 é útil para registrar a impressão de quem procurou produtos e encontrou apenas a estrutura. Nenhum dos dois prova número de visitantes, quantidade de aparelhos ou uma ação de fiscalização.

Esse cuidado importa porque a história ficou mais dramática à medida que era recontada. “A Receita foi lá”, “apreenderam tudo” e “ninguém podia usar nada” são frases diferentes de “a marca anunciou que os aparelhos estavam barrados na fronteira”. A reportagem mantém as frases separadas para não transformar uma lembrança coletiva em uma acusação sem prova.

O que a ausência comunica — e o que é interpretação

A leitura mais evidente da carta da Puffco é que a empresa transformou a ausência em mensagem. O estande vazio dizia “não podemos mostrar”; a circulação prévia da marca na comunidade fazia com que muita gente já soubesse do que se tratava. Isso é uma interpretação editorial apoiada no texto da marca, não uma prova de que cada visitante participou de uma ação coordenada.

Essa tensão ajudou a marca a ocupar vários assuntos ao mesmo tempo:

  • a diferença entre vaporizadores de nicotina e equipamentos para concentrados;
  • a discussão sobre regulação e redução de danos;
  • a experiência de uso de Peak, Peak Pro, Proxy, Pivot e Plus;
  • a manutenção de um ecossistema de câmaras, vidros, joysticks e bocais;
  • o papel dos criadores e dos usuários avançados na educação da comunidade.

É por isso que o episódio interessa a quem pesquisa vaporizadores para concentrados, mesmo quando a matéria não é uma resenha de produto. A ExpoCannabis mostrou que a disputa da Puffco no Brasil é também uma disputa por contexto: quem explica a tecnologia, quem controla a narrativa e quem define o que o público entende quando lê a palavra “vape”.

A marca estava ausente — e, ao mesmo tempo, onipresente

O paradoxo é o centro da história. O aparelho não podia ocupar a prateleira do estande, mas podia aparecer na mochila, no vídeo, no curso e na roda de conversa. A proibição retirou a demonstração oficial; não retirou a familiaridade que a comunidade já tinha com a marca.

Na página de Puffco da Cabana do Vape, esse ecossistema aparece organizado por linha e compatibilidade: Peak e Peak Pro como e-rigs, Proxy como plataforma modular, Pivot como formato portátil e Plus como caneta para concentrados. O ponto não é transformar a matéria em catálogo. É mostrar por que a marca não cabe em uma única fotografia de feira: cada linha já tem uma linguagem própria, e cada usuário chega com uma experiência diferente.

O mesmo vale para as peças. Uma câmara 3D, um vidro ou um joystick não são acessórios genéricos; dependem de linha e geração. Quem quiser continuar a pesquisa pode consultar a área de acessórios e manutenção e conferir a compatibilidade antes de associar qualquer peça ao aparelho errado.

O que fica depois do episódio

O episódio da ExpoCannabis não provou que a Puffco é automaticamente segura, nem resolveu a disputa regulatória. Também não permite afirmar, sem fonte, que “todo mundo” usou um aparelho da marca ou que houve uma ação específica da Receita dentro do estande.

O que ela provou é mais interessante: a cultura canábica brasileira já tinha incorporado a Puffco antes de a empresa tentar ocupar a feira como expositora. Quando a vitrine foi retirada, a comunidade funcionou como mídia distribuída. Cada aparelho compartilhado, cada comparação de modelos e cada conversa sobre concentrados manteve a marca visível.

O estande ficou vazio. A pauta, não.

As perguntas que ainda merecem resposta

Uma reportagem responsável não termina fingindo que todas as lacunas foram resolvidas. Permanecem quatro perguntas que valem uma resposta documentada antes da próxima edição:

  1. A Puffco solicitou autorização específica para importar ou expor os aparelhos em 2025? Se solicitou, qual órgão respondeu e em que termos?
  2. A organização da ExpoCannabis recebeu alguma notificação oficial sobre produtos Puffco, ou o estande vazio foi uma decisão preventiva da própria marca?
  3. Houve apreensão, retenção ou auto de infração relacionado ao estande? Até agora, não localizamos documento público que confirme isso.
  4. A presença da marca na ExpoCannabis 2026 será institucional, comercial ou apenas uma menção no calendário internacional?

Essas perguntas também definem a próxima atualização deste texto. Se a Puffco, a organização ou a Receita apresentarem documentos, a matéria deve incorporar a resposta, registrar a data e corrigir qualquer ponto que tenha mudado.

Perguntas frequentes sobre a Puffco no Brasil

Por que o estande da Puffco ficou vazio na ExpoCannabis?

A empresa afirma, em sua carta aberta, que os aparelhos foram barrados na fronteira e que a legislação brasileira não diferencia vaporizadores de concentrados de outros dispositivos eletrônicos para fumar. O estande vazio foi apresentado como protesto e convite ao debate regulatório.

A Receita Federal apreendeu produtos da Puffco no evento?

Até o momento, não encontramos confirmação pública de uma operação da Receita Federal no estande. Há relatos de participantes e há outros episódios policiais envolvendo a cena canábica no mesmo período, mas não é correto tratar essas histórias como um único fato.

A Girls in Green confirmou a história do estande?

Não. A Girls in Green publicou um guia em parceria com a Puffco e uma prévia da ExpoCannabis 2025, mas esses textos falam sobre vaporização, proibição e a presença da equipe no estande da Humboldt Seed Company. Eles não mencionam Receita, apreensão ou fechamento do estande da Puffco.

Puffco é a mesma coisa que vape descartável de nicotina?

Não. A finalidade e o desenho dos aparelhos são diferentes. A própria Puffco explica que seus dispositivos são voltados a concentrados. Ainda assim, a regulamentação brasileira mantém uma proibição ampla para dispositivos eletrônicos para fumar, sem criar uma exceção comercial específica para a marca.

Onde pesquisar os modelos Puffco disponíveis no Brasil?

O hub Puffco Brasil da Cabana do Vape reúne os modelos e as informações de compatibilidade. A disponibilidade muda, então o leitor deve conferir o status de cada item e a legislação vigente antes de qualquer decisão de compra.

Para continuar a pesquisa sobre a marca, veja também o guia para escolher Puffco original no Brasil e a comparação entre chamber Puffco 3D e 3DXL.

Fontes e documentos consultados

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